Também conhecida pelos nomes de Matriz de gravidade ou Matriz de Probabilidade e Impacto, a Matriz de Risco consiste em uma ferramenta bastante utilizada na fase de avaliação de riscos para identificar e priorizar diferentes ameaças de um projeto, realizando estimativas sobre a probabilidade de ocorrência e a gravidade dos mesmos, caso aconteçam. Portanto, antes de sua aplicação é necessário realizar um levantamento de riscos de um projeto.
O que é uma Matriz de Risco?
A Matriz de Risco é uma ferramenta bastante efetiva para analisar a probabilidade e o impacto, além dos riscos, de um projeto, seja de um processo de uma nova tecnologia, redução de taxas ou impostos etc. Assim, esta ferramenta pode ajudá-lo a calcular o risco do projeto de forma bastante prática e simples ou te auxiliar na criação de medidas preventivas.
Em resumo, uma Matriz de Risco é uma representação visual dos riscos que afetam um projeto para permitir que as empresas desenvolvam uma estratégia de mitigação.
Ela inicia identificando as tarefas e/ou atividades, depois, o quão provável é a ocorrência de determinado erro, e assim, avalia os danos potenciais, facilitando a priorização dos problemas.
Embora o gerenciamento de incertezas pareça desafiador, existem cada vez mais ferramentas de cálculo de criticidades do risco disponíveis hoje que exigem pouco esforço de sua parte, como por exemplo a Matriz GUT e o FMEA.
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Qual NR fala da Matriz de risco?
A NR (Norma Regulamentadora) que trata da matriz de risco no Brasil é a NR-09, que aborda o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Essa norma, publicada pelo Ministério do Trabalho, estabelece a obrigatoriedade de elaborar e implementar o programa em todas as empresas, independente de seu porte ou grau de risco. A matriz de risco é uma ferramenta importante nesse processo, pois ajuda a identificar, avaliar e controlar os riscos ocupacionais presentes no ambiente de trabalho.
A matriz de risco normalmente leva em consideração aspectos como a probabilidade de ocorrência de um evento, a severidade das consequências, a exposição dos trabalhadores e a efetividade das medidas de controle existentes. A NR-09 é apenas uma das várias normas regulamentadoras que visam garantir a segurança e saúde dos trabalhadores no Brasil.
Por que usar a Matriz de Risco?
Entre os motivos pelos quais você deve usar a Matriz de Riscos estão:
- Identificar possíveis riscos;
- Priorizar os riscos pelo nível de gravidade;
- Medir o tamanho e o escopo do risco;
- Determinar os recursos apropriados para minimizar o risco.
A matriz de risco pode ajudar a identificar riscos em um escopo amplo de uma empresa, como por exemplo no escopo dos processos de negócios e dos processos individuais.
Uma vez compreendido o que é uma Matriz de Riscos e porquê utilizá-la, fica mais fácil entender seu processo de construção. Abaixo segue uma imagem da Matriz de Riscos para contextualizarmos seus elementos e, posteriormente, sua construção.

Figura 1. Exemplo de uma Matriz de Risco
A matriz de riscos, portanto, é uma tabela que pondera dois aspectos: impacto e probabilidade. Logo, será por meio destes dois aspectos que será possível calcular, classificar e visualizar os riscos. Sendo que são classificados como baixo (cor verde), médio (cor amarela) e alto (cor vermelha).
Porém, antes de iniciarmos de fato o seu processo de construção, é preciso conhecer de forma mais detalhada como são definidas as grandezas para utilizar a probabilidade e o impacto.
Probabilidade
A probabilidade localiza-se no eixo vertical dessa matriz. Consiste na medida que indica a probabilidade de ocorrência de um risco. Em resumo, através dela pondera-se a facilidade ou dificuldade de determinado risco acontecer.
No entanto, essa probabilidade precisa ser traduzida em números, que também podem ser convertidos em porcentagem. Logo, a classificação para as probabilidades seguem o seguinte padrão:
- Baixíssimo: 1 a 10%
- Baixo: 11 a 20%
- Médio: 31 a 50%
- Alto: 51 a 70%
- Altíssimo: maior que 71%
Impacto
Por outro lado, o impacto localiza-se no eixo horizontal. Ele é responsável por indicar em números as consequências de um risco, no caso de ocorrência deste. No entanto, o impacto pode ser tanto positivo como negativo, como é o caso da ocorrência acarretar na perda de clientes ou mesmo no dano à equipamentos. Ele também é ponderado entre: baixíssimo, baixo, médio, alto ou altíssimo.
Uma vez definido os critérios de impacto e probabilidade, primeiramente você deve retratar os critérios que definirão a probabilidade para determinado projeto/processo:
- Baixíssimo: 1 a 10% [improvável]
- Baixo: 11 a 20% [pode ocorrer uma vez em um ano]
- Médio: 31 a 50% [pode ocorrer duas vezes em um ano]
- Alto: 51 a 70% [pode ocorrer mensalmente]
- Altíssimo: maior que 71% [pode ocorrer semanalmente]
Da mesma forma deve-se fazer para o impacto:
- Baixíssimo: consequências pouco significativas;
- Baixo: riscos de consequências reversíveis em curto e médio prazo a custos poucos significativos;
- Médio: riscos de consequências reversíveis em curto e médio prazo a custos baixos;
- Alto: riscos de consequências reversíveis em curto e médio prazo a custos altos;
- Altíssimo: estes riscos possuem consequências irreversíveis ou de custos inviáveis.
Quais são as Matrizes de Risco?
Existem várias matrizes de risco, dependendo da abordagem e do contexto em que são aplicadas. Algumas matrizes de risco comuns incluem:
- Matriz de Risco 5x5: Uma matriz de risco de 5x5 avalia os riscos com base em dois fatores: a probabilidade de ocorrência (frequência) e a severidade do impacto (consequência). Cada fator é classificado em uma escala de 1 a 5, sendo 1 o menor e 5 o maior. O resultado é uma matriz de 5 linhas e 5 colunas, com 25 células que representam diferentes níveis de risco.
- Matriz de Risco 3x3: É uma versão simplificada da matriz de risco 5x5, com três categorias para probabilidade e severidade: baixo, médio e alto. A matriz resultante tem 3 linhas e 3 colunas, totalizando 9 células para representar os níveis de risco.
- Matriz de Risco Qualitativa: Esta matriz foca na avaliação qualitativa dos riscos, usando categorias como "baixo", "médio" e "alto" ou "aceitável", "tolerável" e "inaceitável" para classificar a probabilidade e a severidade dos riscos. Pode ser uma matriz 3x3 ou 5x5.
- Matriz de Risco Quantitativa: Diferentemente da matriz qualitativa, a matriz de risco quantitativa usa números e cálculos específicos para determinar a probabilidade e a severidade dos riscos. Isso permite uma análise mais precisa, embora possa ser mais complexa.
- Matriz de Risco para Análise Preliminar de Perigos (APP): Usada para identificar e avaliar riscos em processos industriais, a matriz APP leva em conta a frequência, a severidade e a possibilidade de detecção do risco.
- Matriz de Risco de Projeto: Específica para a gestão de projetos, esta matriz ajuda a identificar e priorizar riscos que podem afetar o sucesso do projeto, levando em conta fatores como o impacto no cronograma, no custo e na qualidade.
Essas são apenas algumas das matrizes de risco disponíveis. A escolha da matriz adequada dependerá do contexto e dos objetivos específicos da análise de risco.
Como fazer a Matriz de Risco?
1º Passo: Escolha do local onde a matriz será construída
Primeiramente, deve-se escolher onde montar sua matriz de riscos. Aqui você pode usar diversos elementos como papel e caneta, softwares adequados para gestão de riscos ou planilhas eletrônicas.
2º Passo: Identificação e análise de riscos
Em segundo lugar, você deve identificar cada um dos riscos para assim, realizar as análises de probabilidade e impacto de cada risco identificado, por exemplo: prejuízo financeiro, perda de clientes, dano à equipamento, entre outros.
Nesse caso, a análise de probabilidade e impacto é feita por pessoas que entendem muito bem de cada um dos assuntos. Por isso, recomendamos que a avaliação de riscos seja feita por mais de uma pessoa.
Aqui cabem algumas sugestões sobre a análise de risco. Perguntas são muito importantes, como por exemplo:
- Já tivemos que lidar com esse tipo de risco antes? - Há algum dado, fato ou documento sobre o risco? (Por exemplo, ocorrência ou indício)
Uma vez determinados a probabilidade e impacto, insira os valores na linha e coluna da matriz para classificar o risco. Por fim, de acordo com sua classificação, determine se ele deve ou não ser tratado como prioridade.
Exemplo de uso da Matriz de Risco
Vamos supor que uma empresa de instalação de redes de computador tenha reconhecido o risco descrito abaixo em um grande cliente:
Risco 1: Perda de conexão dos computadores da empresa.
A fim de sanar este risco, o gestor da empresa de redes, o gestor da empresa afetada e o analista de manutenção se reuniram. Porém, observe que são estes os cargos que estão diretamente relacionados com a avaliação do risco em questão. Dessa forma, levantaram-se os seguintes problemas:
Aconteceram outras duas quedas na rede da empresa nos últimos 5 meses. A última vez que aconteceu esta queda, houve uma demora de 1 hora o que representou queda em 5% do faturamento daquele mês. Além disso, registraram-se mais de 300 reclamações de clientes pela indisponibilidade de atendimentos por problemas na conexão de rede.
Assim, definiu-se que a probabilidade do risco é moderada, uma vez que aconteceu mais de uma vez no ano, porém não mensalmente. Por fim, a equipe chegou a um consenso de que o risco é muito alto, por ter consequências irreversíveis.
Resumo
A gestão de riscos é uma condição obrigatória para a conclusão de forma bem-sucedida de um projeto. Pois caso os riscos não sejam devidamente identificados ou não suficientemente analisados, você não tem como mitigá-lo. A matriz de riscos possui exatamente essa função, ponderando as probabilidades e consequências dos riscos.
