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Organizações Sustentáveis: Veja como liderá-las!
Blog

24 de março de 2020

Última atualização: 31 de outubro de 2022

Organizações Sustentáveis: Veja como liderá-las!

Organizações Sustentáveis: uma tentativa de definição

Primeiramente, o que define organizações sustentáveis? A maioria das empresas ainda não chegou a um acordo sobre o que significa ser verdadeiramente sustentável.

A adoção corporativa de práticas comerciais sustentáveis ​​é essencial para um forte ambiente de mercado e uma sociedade duradoura. Mas... O que significa tornar-se um negócio sustentável? E que medidas os líderes devem adotar para integrar a sustentabilidade em suas organizações?

Os sinais são claros: a sustentabilidade é uma das principais prioridades de qualquer empresa. Afinal, quase 9.700 empresas se comprometeram com o Pacto Global das Nações Unidas, mais de 90% das maiores empresas do mundo emitem relatórios de sustentabilidade, e pesquisas depois de pesquisas mostram que o universo corporativo deseja desempenhar um papel de liderança no avanço da sustentabilidade.

No entanto, a maioria das empresas ainda não chegou a um acordo sobre o que significa ser verdadeiramente sustentável ou a mudança sistêmica que isso exige. Por um lado, está bem estabelecido, por exemplo, que empresas sustentáveis ​​devem priorizar questões materiais, explorar a inovação do modelo de negócios e envolver as partes interessadas – e são essas ações sensatas a base da sustentabilidade. O que ainda não está estabelecido, no entanto, é identificar quando as empresas se tornam sustentáveis.

Primeiramente, para determinar se são sustentáveis, as empresas devem mudar a forma como veem a sustentabilidade. Atualmente, a maioria das empresas concentra-se na redução de comportamentos destrutivos ou antiéticos ao meio ambiente. Esses são bons objetivos, mas não são sinônimo de sustentabilidade.

Duas visões de sustentabilidade corporativa

1. Tripé da sustentabilidade

A sustentabilidade corporativa geralmente é estruturada usando o Tripé da Sustentabilidade (ou triple bottom line [TBL] em inglês), que avalia os desempenhos econômico, ambiental e social da organização. O TBL é baseado em uma visão integrada da sustentabilidade - as três dimensões são vistas como inter-relacionadas e igualmente importantes. Ao aplicar o TBL, as empresas geralmente procuram áreas nas quais as dimensões se sobrepõem e se reforçam mutuamente.

Mas o TBL não conecta o desempenho da empresa aos recursos econômicos, ambientais e sociais dos quais ela depende. Pois, com essa métrica, o desempenho é avaliado em relação à própria empresa ou a seus pares, e não em relação aos limites vinculados a esses recursos. Assim é impossível avaliar a verdadeira sustentabilidade.

2. Visão incorporada

Já a visão incorporada faz conexões explícitas entre o desempenho de uma empresa e seu lugar no mundo. Isso porque ela vê as empresas como existentes na sociedade em geral, a qual, por sua vez, existe no ambiente natural. É essa perspectiva que fornece uma base para definir a verdadeira sustentabilidade: uma empresa sustentável deve operar dentro de seus limites econômico, ambiental e social.

Esses limites podem ser para mais ou para menos, como consumo de água ou salário, respectivamente. Está em andamento o trabalho de conversão de potenciais limites de referência, como as “fronteiras planetárias” e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), para as empresas, mas isso está apenas começando. As empresas, individualmente, também devem identificar limites específicos a serem perseguidos.

Nesse sentido, muitas empresas já estão vinculando algumas de suas atividades a limites ambientais. Por exemplo, 380 empresas se comprometeram com a iniciativa Science Based Targets (SBTi), focada na redução de emissões de gases de efeito estufa. Outras 144 empresas endossaram o CEO Water Mandate, que fornece diretrizes para vincular divulgações a recursos hídricos regionais. A Mars Inc., com sede em McLean, Virgínia, e a Unilever PLC, com sede em Londres, são exemplos de empresas que apoiaram essas duas iniciativas.

Estabelecer e buscar limiares sociais, no entanto, provou ser mais desafiador. Considere o salário digno como exemplo: existem muitas definições de salário digno e os níveis variam amplamente em todo o mundo, sendo assim difíceis de quantificar. Portanto, mesmo que existam pontos de referência emergentes, certamente é necessário mais trabalho sobre o que constitui um salário digno.

Como acontece nas Organizações Sustentáveis?

As organizações sustentáveis – de fato sustentáveis - ​​empregam inovação incremental e radical. Portanto, para se assumir sustentável, pode ser que uma organização tenha de alterar seus produtos, processos e modelos de negócios para operar dentro de limites definidos.

Por outro lado, a inovação incremental melhora o desempenho através de pequenas mudanças constantes em um processo de melhoria contínua. Com o tempo, isso pode levar a melhorias substanciais. Para exemplificar, as iniciativas de sustentabilidade mais recentes - como melhorar a eficiência - concentram-se na inovação incremental. Mas não é exatamente a inovação incremental que constitui organizações sustentáveis.

Por outro lado, a inovação radical se concentra em fazer as coisas de maneira diferente. Ela ocorre de forma intermitente e pode mudar de mercado - ou mesmo criar novos. A crescente aceitação da manufatura aditiva, por exemplo, pode atrapalhar as cadeias de suprimentos. Dessa forma, após implementar uma mudança radical, o processo de inovação incremental se faz fortemente presente.

Considere três exemplos - O que [NÃO] são as organizações sustentáveis

Primeiro, os produtos da empresa são relevantes. Por exemplo, não existe fabricante de armas biológicas que seja sustentável. Segundo, as cadeias de suprimentos são essenciais para a sustentabilidade corporativa: ter uma cadeia de suprimentos sustentável significa terceirizar fornecedores sustentáveis. E por fim, terceiro, a advocacia também é importante. Reduzir as emissões de GEE é louvável; mas é insustentável, no entanto, se acompanhado de esforços para desacreditar a ciência climática.

Ou seja, as empresas podem agir de maneira insustentável, mesmo operando dentro de limites.

Observado esse cenário, certamente os compromissos corporativos com a sustentabilidade devem ser comemorados. Milhares de empresas estão fazendo esforços de boa fé para exceder os requisitos legais. Porém, é necessário que as empresas mudem suas perspectivas sobre o que significa sustentabilidade.

4 exemplos de Organizações Sustentáveis

Como você melhora a sustentabilidade corporativa e se aproxima das Organizações Sustentáveis?

Você identifica as empresas com os melhores desempenhos e aprende com elas. Em seguida, observa o que as torna tão bem-sucedidas - e a partir daí você também pode passar a atuar de forma a tornar sua organização bem-sucedida.

Então, qual o melhor lugar para começar, a não ser com algumas das organizações mais sustentáveis ​​do mundo? Com isso em mente, as ideias de hoje vêm do Global 100 de 2019 - uma lista das empresas mais sustentáveis ​​do mundo.

A lista classifica as empresas com base em 21 KPIs, incluindo gerenciamento de recursos, gerenciamento de funcionários, gerenciamento financeiro, desempenho do fornecedor e "receita limpa" - a porcentagem da receita que uma empresa gera por meio de produtos sustentáveis.

Chr. Hansen Holding:

Chr. A Hansen Holding não é exatamente um nome familiar - mas a empresa de biociência desempenha um papel importante na maioria dos alimentos que ingerimos. E de fato, a cada dois queijos do mundo, pelo menos contém algum de seus ingredientes naturais.

A empresa - que desenvolve e produz culturas, enzimas, probióticos e cores naturais para alimentos, confeitos, bebidas, suplementos alimentares e até ração animal - concentrou seus esforços de sustentabilidade em contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

Como resultado, 82% da receita da empresa contribui para metas como aumentar a produção e reduzir o desperdício de alimentos, além de eliminar gradualmente os antibióticos na produção animal.

Kering SA:

A Kering SA é mais conhecida pelas marcas de moda que possui – como Gucci e Saint.

Enquanto a indústria da moda é atormentada por questões ambientais e de direitos humanos, a Kering se destacou por adquirir mais de 40% de seus produtos de fontes sustentáveis ​​certificadas - e está sempre procurando maneiras de aumentar esse número.

Além disso, quase 60% do conselho da empresa é formado por mulheres - mais que o triplo da média das empresas globais. Saiba mais sobre Negócios Feministas!

Neste Corporation:

A Neste Corporation é uma empresa de refino e comercialização de petróleo sediada na Finlândia. (E é surpreendente ver uma empresa de petróleo listada entre as empresas mais sustentáveis ​​do mundo, já que a produção de petróleo e gás é uma das principais fontes de emissão de gases de efeito estufa.)

A Neste, no entanto, investiu pesadamente no desenvolvimento de produtos como biocombustíveis renováveis. Hoje, 25% da receita da empresa vem do refino de biocombustíveis, e pretende-se aumentar esse número para 50% ainda neste ano.

Ørsted:

A Ørsted é a maior empresa de energia da Dinamarca, além de ser a empresa de energia mais sustentável do mundo, de acordo com a Global 100.

A marca ficou em 4º lugar na lista porque uma alta porcentagem de sua receita vem de produtos e serviços limpos. Então, como a empresa se transformou de uma empresa de serviços intensivos em carvão e gás em uma empresa global de energia verde?

A Ørsted investiu pesadamente em energia renovável, tornando-se líder global em energia eólica offshore. Na última década, a empresa reduziu suas emissões de carbono na produção de energia em 67%. Além disso, reduziu a intensidade de carbono de sua geração de energia e calor em mais de dois terços desde 2006, estando a caminho de atingir sua meta de mais de 95% de energia verde até 2023.

Concluindo...

O caminho para a verdadeira sustentabilidade não é linear: ele varia de acordo com a empresa. Ou seja, empresas diferentes terão ritmos de mudança diferentes, enquanto o progresso depende de fatores de mercado, tecnológicos e regulatórios, entre outros. Além disso, as interrupções da inovação radical resultam em descontinuidades de desempenho.

Para transitar bem nessa transição, as empresas devem definir metas de trajetória agressivas e ao mesmo tempo atingíveis. As trocas entre desempenho econômico, ambiental e social provavelmente serão necessárias ao longo do caminho. As empresas podem fazer trade-offs de maneira diferente, mas devem se alinhar às prioridades dos objetivos da trajetória.

Por fim, ao mesmo tempo que as empresas influenciam amplamente a sustentabilidade, esta exige que as empresas considerem o cenário todo. Isso porque a tendência das empresas é a oposta: elas se concentram mais justamente nas coisas que controlam diretamente, como operações internas. A ideia é que considerem sua influência mais amplamente.

Paula Louzada

Paula Louzada

Engenheira Mecânica (2016) e mestra pela Universidade Estadual de Campinas (2023). Na França, atuou na área de Melhoria de Produção de uma empresa do segmento aeronáutico, e no Brasil fez parte da equipe de Melhoria Contínua de uma multinacional do ramo químico. Atualmente, trabalha como consultora de Projetos de Melhoria, Excelência Operacional e Gestão da Rotina, além de ministrar aulas de Green Belt, Black Belt e Ferramentas da Qualidade na FM2S Educação e Consultoria.